Vida jurídica - Mulheres investem na promotoria legal
 
Trabalho de voluntárias do SOS coordenam curso que discute sobre igualdade de direitos entre os sexos e fim da discriminação
 
São José dos Campos
 

Tudo pela igualdade! Esse é o principal lema das Promotoras Legais de São José dos Campos. Lutando pelo fim das diferenças e discriminação entre os sexos opostos elas promovem até cursos para levar ao conhecimento do classificado "sexo frágil", seus direitos e sua cidadania.

Em uma "discriminação positiva", as aulas do curso de Promotoras Legais são voltadas única e exclusivamente para mulheres de todas as idades, classes sociais e formações escolares.

"Não queremos nem nos consideramos um sexo superior. Queremos apenas os mesmos direitos que os homens possuem e que eles dividam conosco as responsabilidades de igual para igual, para carregarmos juntos as cargas da vida", explica Alcione Massula de Melo, 49 anos, uma das coordenadoras do curso.

Feminista assumida e militante desde a adolescência, Alcione não culpa os homens pelo machismo e preconceito diante de algumas situações. "Isso é resultado da nossa cultura, que insiste em impôr ao homem as rédeas da casa, da família e da situação. Por isso, é importante brigar pelos direitos de igualdade, mas antes é preciso conhecê-los", disse Alcione.

Palestrante na abertura do curso, que tem início amanhã, a professora de Filosofia e autora de uma coleção especial sobre educação na família, Maria Lúcia Arruda Aranha concorda com Alcione quando o assunto é cultura e discriminação.

"A mulher foi eleita como oprimida e instituída como submissa ao sexo forte: o masculino. É claro que hoje já conquistamos muito espaço, mas ainda é preciso muito para mudar na sociedade a idéia que se tem de que existem tarefas diferentes para homens e para mulheres", afirma Maria Lúcia.

Com um certo enfoque feminista, mas não arcaico, o curso de cidadania das Promotoras Legais despertou ainda mais o desejo de lutar pelos direitos de igualdade na assistente social Edna Gomes Silva, 30. "Sempre fui contra a desigualdade, seja ela social, racial ou sexual. Mas as aulas me ajudaram a entender melhor meus direitos e isso me motivou a lutar por eles. Se são meus e os quero!", conta.

Formada em gerenciamento empresarial, a atualmente dona-de-casa Rosa Amélia Cantalice da Rocha, 47, abandonou sua vida profissional e parte dos objetivos após o casamento. "Não me arrependo do casamento, dos filhos, somente de não ter brigado mais pelo que é meu por direito legal: a igualdade. Ela me é garantida por lei".

Hoje, pode se dizer que Rosa é uma nova mulher. "Depois do curso, que fiz em 1999, decidi realizar trabalhos voluntários em minha comunidade e passar para as mulheres tudo o que aprendi", disse.

O curso é promovido pelo SÓS Mulher em parceria com a OAB, e ainda tem vagas. As aulas acontecem todas às segundas entre 19h e 22h na sede da OAB. Informações pelo telefone (12) 3923-5258.