Mobilização contra o uso do caveirão

Justiça Global

Moradores e organizações realizam marcha contra o uso do Caveirão nas favelas do Rio de Janeiro Na próxima quarta-feira, dia 7 de junho, às 14 horas, moradores de comunidades pobres, a Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência, o Centro de Direitos Humanos de Petrópolis e a Justiça Global realizam uma marcha contra o uso do Caveirão e a violência policial no Rio de Janeiro. A concentração será no Largo do Machado e os manifestantes seguirão até o Palácio Guanabara, em Laranjeiras.A manifestação faz parte das mobilizações da Campanha Contra o Caveirão, lançada em 13 de março. No término da Marcha, os manifestantes vão entregar à Governadora Rosinha Garotinho abaixo-assinados que pedem o fim do uso do blindado nas comunidades pobres do Rio de Janeiro. No âmbito internacional, a Anistia Internacional coordena uma campanha de remessa de cartões que já mobilizou mais de 20 países no mundo.O Caveirão é um carro blindado, preto, que carrega o desenho da caveira com uma faca enterrada na parte superior do crânio (símbolo oficial do Batalhão de Operações Especiais - BOPE). O Caveirão não permite a identificação dos policiais, não possui lugar para colocar as pessoas detidas, permite aos policiais atirarem com seus fuzis para todos os lados e utiliza-se de um alto-falante para fazer ameaças e ofensas aos moradores de maneira geral. As frases mais conhecidas do Caveirão são: “sai da frente, vim buscar sua alma” e “trabalhador a gente bate na cara, bandido a gente mata com fuzil”. São inúmeros os relatos de moradores de comunidades pobres sobre homicídios e ameaças cometidas pelos policiais, que conduzem os caveirões e blindados similares.O governo do Rio de Janeiro alega que um dos principais motivos para a utilização do Caveirão é a proteção dos policiais em operações nas comunidades, mas por trás dessa justificativa esconde-se uma ação militarizada baseada na noção da letalidade policial apresentada como eficiência, onde o “inimigo” deve ser eliminado. Encurralados entre a polícia que ataca as favelas e os traficantes que aí se instalaram, as comunidades mais pobres do Rio estão sendo vitimizadas e associadas ao crime.Para as organizações que promovem a campanha, o Caveirão é um símbolo das falhas da política de segurança pública do Rio de Janeiro. A segurança para todos jamais será alcançada por meio da violência e da intimidação. Uma política inclusiva de segurança pública, baseada em técnicas de investigação e no respeito pelos direitos humanos tem que ser introduzida urgentemente. Informações:

Justiça Global: Sandra Carvalho - (21) 25442320, 78111600, Carlos Eduardo Gaio (21) 81529656; Marcelo Freixo (21) 98036087

Rede de Comunidades e de Movimentos Contra a Violência: Maurício Campos (21) 99774916

Centro de Direitos Humanos de Petrópolis: Paula Amorim (21) 97850703