| Dizem
que temos faltado ao nosso encontro com a história e, enfim, é
preciso reconhecer que chegamos tarde a todos os encontros.
Tampouco conseguimos tomar o poder, e a verdade é que, às
vezes, nos perdemos pelo caminho ou nos enganamos de rumo e depois tratamos
de fazer um longo discurso sobre o tema.
Nós, latino-americanos, temos a má fama de charlatães,
vagabundos, criadores de caso, esquentados e festeiros, e não há
de ser por nada. Ensinaram-nos que, por lei do mercado, o que não
tem preço não tem valor, e sabemos que a nossa cotação
não é muito alta. No entanto, nosso aguçado faro
para negócios nos faz pagar por tudo que vendemos e comprar todos
os espelhos que traem nosso rosto.
Levamos quinhentos anos aprendendo a nos odiar entre nós mesmos
e a trabalhar o corpo e alma para a nossa perdição, e assim
estamos; mas ainda não conseguimos corrigir nossa mania de sonhar
acordados e esbarrar em tudo, e certa tendência à ressurreição
inexplicável.
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